Quinta-Feira, 26 de agosto de 2026
Justiça no Interior

Agosto Lilás: prevenção ainda é o maior desafio para combater a violência contra a mulher, avalia Dra. Luciana Silva

 

imagem: Natan Rangel/Divulgação OAB

Entrevista aborda os avanços da legislação e os desafios da proteção às mulheres. 

Agosto é o mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Mais do que uma campanha de mobilização, o Agosto Lilás convida a sociedade a refletir sobre um problema que continua fazendo milhares de vítimas todos os anos. Em 2026, a campanha ganha um significado ainda mais especial ao marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha, considerada um divisor de águas na proteção dos direitos das mulheres no Brasil.

Para abrir a série especial do Justiça no Interior, conversamos com a Dra. Luciana Silva sobre os avanços conquistados nas últimas duas décadas, os desafios que ainda persistem e o papel do Sistema de Justiça na construção de uma rede de proteção cada vez mais eficiente.

Para a especialista, o maior desafio hoje não está apenas na punição dos agressores, mas principalmente na prevenção da violência.

“O crime ocorre, mas as ações preventivas são extremamente importantes. Precisamos discutir as raízes desse tipo de violência e entender por que ela continua acontecendo”, afirma.

Segundo ela, os números mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, mesmo com leis mais rigorosas, os índices de violência contra a mulher continuam preocupantes.

“Isso demonstra que apenas endurecer a legislação não resolve o problema. Precisamos discutir mais esse tema e investir em medidas preventivas. O Agosto Lilás tem justamente esse papel: chamar toda a sociedade para essa reflexão.”

Um marco para os direitos das mulheres

Na avaliação da Dra. Luciana, o principal legado da Lei Maria da Penha foi reconhecer que a violência contra a mulher vai muito além da agressão física.

“Antes da lei já existia uma resposta jurídica para esses casos, mas não havia uma legislação específica voltada para essa realidade. A própria existência da Lei Maria da Penha já representa um grande avanço.”

Ela explica que a legislação ampliou a compreensão sobre a violência doméstica ao reconhecer outras formas de agressão que, durante muito tempo, permaneceram invisíveis.

“A lei passou a reconhecer a violência psicológica, moral, patrimonial e sexual. Isso mudou completamente a forma como o Estado enxerga a violência contra a mulher e fortaleceu a proteção às vítimas.”

Apesar dos avanços, a jurista aponta que algumas mudanças promovidas ao longo dos anos merecem reflexão. Uma delas diz respeito à divisão das competências entre as varas especializadas.

“No texto original da Lei Maria da Penha existia a chamada competência híbrida. Um único juiz analisava toda a situação vivida pela mulher: o processo criminal, o divórcio, a guarda dos filhos. Hoje essas questões são analisadas por juízos diferentes, e isso pode dificultar uma visão mais completa da realidade enfrentada pela vítima.”

Ela cita a professora Tânia Rocha, autora do livro O Preço do Silêncio: As Mulheres Ricas Também Sofrem Violência, para destacar que muitos episódios de violência se intensificam justamente durante a separação do casal.

“Por isso, é importante que esse fenômeno seja compreendido de forma integral.”

 A prevenção ainda precisa sair do papel

Embora a Lei Maria da Penha seja amplamente conhecida pela criação de mecanismos de proteção e punição, Dra. Luciana acredita que ainda existe uma compreensão limitada sobre seu verdadeiro alcance.

“Muitas pessoas enxergam a Lei Maria da Penha apenas pelo aspecto criminal. Mas ela também determina que o Estado e toda a sociedade atuem na prevenção da violência. Esse talvez seja o ponto que ainda precisa avançar.”

Para ela, discutir igualdade de gênero e violência doméstica deve fazer parte dos espaços de formação, como escolas e universidades.

“Quando pensamos apenas na punição, estamos agindo depois que o crime já aconteceu. O ideal é que a violência nem aconteça. É assim que conseguimos evitar desfechos extremos, como o feminicídio.”

Segundo a especialista, a efetividade da legislação depende justamente desse equilíbrio entre prevenção, acolhimento e responsabilização.

“A Lei Maria da Penha ainda não foi plenamente efetivada em todos os campos em que deveria proteger a mulher. Quando isso acontece, o Brasil deixa de cumprir não apenas sua própria legislação, mas também compromissos internacionais assumidos no combate à violência de gênero.”

Os desafios do interior

Ao falar sobre a realidade das comarcas do interior da Bahia, a jurista destaca que a falta de estrutura continua sendo um dos maiores obstáculos.

“Muitas cidades ainda não possuem Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher nem varas especializadas em violência doméstica.”

Ela chama atenção também para a situação das mulheres que vivem na zona rural.

“Essas mulheres enfrentam dificuldades ainda maiores para acessar os serviços de proteção. Muitas vezes precisam percorrer grandes distâncias para registrar uma ocorrência ou buscar atendimento especializado.”

Na avaliação da especialista, ampliar essa estrutura é fundamental para garantir um atendimento rápido, eficiente e humanizado.

Medidas protetivas e rede de apoio

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a importância das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

“O problema não está na medida protetiva em si, mas na sua efetivação. É preciso que existam estrutura e acompanhamento para garantir que essas decisões sejam realmente cumpridas.”

Ela ressalta que o enfrentamento à violência contra a mulher também passa por mudanças culturais.

“Enquanto não combatermos o machismo e o patriarcado presentes nas relações sociais, continuaremos convivendo com diferentes formas de violência. Muitas vezes esse comportamento aparece em piadas, comentários e atitudes que acabam naturalizando a inferiorização da mulher.”

Para Dra. Luciana, outro caminho indispensável é fortalecer a atuação conjunta entre Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, forças de segurança e assistência social.

“Quando essas instituições trabalham de forma integrada, a mulher recebe um atendimento mais eficiente e evita reviver a violência ao precisar contar a mesma história diversas vezes.”

Ela defende ainda a ampliação de iniciativas como as Salas Lilás e a Patrulha Maria da Penha.

“São equipamentos que oferecem um atendimento especializado e mais humanizado. No entanto, ainda não estão presentes em todas as regiões da Bahia, especialmente no interior.”

Um compromisso permanente

Ao abrir o Especial Agosto Lilás, a entrevista reforça que os avanços conquistados pela Lei Maria da Penha ao longo dos últimos 20 anos são inegáveis. No entanto, para que a legislação alcance plenamente seus objetivos, é preciso ir além da punição e investir em prevenção, educação, fortalecimento das instituições e ampliação da rede de proteção.

Mais do que uma campanha de um mês, o Agosto Lilás representa um convite para que toda a sociedade participe da construção de uma cultura de respeito, igualdade e combate à violência contra a mulher.

 

EUCLIDES DA CUNHA: Homem é condenado a mais de 24 anos por matar a bisavó

imagem: divulgação/Prefeitura de Euclides da Cunha

Tribunal do Júri reconheceu três qualificadoras e agravantes no crime.

O Tribunal do Júri da Comarca de Euclides da Cunha condenou Devid Costa Ribeiro a 24 anos e nove meses de prisão pelo homicídio triplamente qualificado da bisavó, Anita da Costa Silva, de 78 anos. O julgamento ocorreu na última quarta-feira (29).

Os jurados reconheceram que o réu agiu por motivo torpe, utilizou meio cruel e empregou recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, a Justiça considerou como agravantes a idade da vítima e a violência empregada durante o crime.

Segundo a denúncia, a vítima foi morta com golpes de faca dentro da própria residência, onde acolhia o bisneto e lhe oferecia cuidados e sustento. Após a condenação, a Justiça determinou que Devid Costa Ribeiro cumpra a pena em regime inicial fechado.

Com informações do Bahia Notícias. 

LUÍS EDUARDO MAGALHÃES: Mutirão do TJ-BA já concluiu mais de cem processos em três dias

imagem: divulgação/TJBA

Iniciativa reúne magistrados para dar mais celeridade aos processos. 

O mutirão de audiências promovido pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) na Comarca de Luís Eduardo Magalhães já apresentou resultados nos primeiros dias de trabalho. Entre segunda-feira (27) e quarta-feira (29), a força-tarefa realizou 146 audiências e proferiu 110 sentenças.

Além disso, os magistrados converteram 18 audiências em diligência e redesignaram outras 18. A iniciativa segue até o dia 7 de agosto e busca acelerar o andamento de processos na comarca.

Força-tarefa reúne 15 magistrados

Ao longo de dez dias de atividades, o mutirão prevê a realização de 476 audiências, incluindo quatro sessões do Tribunal do Júri. Para cumprir a programação, o TJ-BA mobilizou 15 magistrados, que atuam simultaneamente em dois turnos diários.

Segundo o coordenador do Núcleo de Saneamento do Tribunal, juiz Matheus Oliveira, os resultados vão além dos números. De acordo com ele, as 110 sentenças representam processos de grande impacto social que finalmente receberam uma resposta do Judiciário.

Além disso, o magistrado destacou que a iniciativa reforça o compromisso da Presidência do TJ-BA com uma Justiça mais ágil, eficiente e próxima da população.

Ação reúne instituições

O mutirão é resultado de uma mobilização conjunta entre o Poder Judiciário, instituições que integram o sistema de Justiça, a administração municipal e as forças de segurança.

Dessa forma, a parceria garante melhores condições para a realização das audiências e contribui para dar maior celeridade à tramitação dos processos na comarca.

Com informações do Bahia Notícias. 

BARREIRAS: Justiça determina regularização sanitária do Centro de Abastecimento

imagem: reprodução/MPBA

Decisão atende ação do MP-BA após anos de fiscalização no local.

A Justiça determinou que o Município de Barreiras adote medidas para regularizar as condições sanitárias, estruturais e operacionais do Centro de Abastecimento (CAB – Feira Livre). A decisão atende a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) e foi proferida na última sexta-feira (24).

Segundo o promotor de Justiça João Ricardo Soares da Costa, autor da ação, inspeções realizadas no equipamento público identificaram problemas no armazenamento, acondicionamento e comercialização de carnes. Além disso, as irregularidades representam riscos à saúde dos consumidores.

O promotor informou que o Ministério Público acompanha a situação do Centro de Abastecimento há cerca de sete anos. Nesse período, o órgão realizou inspeções, expediu recomendações, promoveu reuniões e articulou capacitações para feirantes em parceria com instituições de ensino e órgãos de fiscalização. No entanto, os problemas persistiram.

Irregularidades motivaram ação judicial

De acordo com o MP-BA, as fiscalizações identificaram a comercialização de carnes impróprias para consumo, ausência de refrigeração adequada, falta de alvarás sanitários em diversos boxes e transporte irregular de mercadorias.

Além disso, o órgão apontou deficiência na fiscalização do espaço, o que motivou o ajuizamento da ação para garantir a adequação do local às normas sanitárias.

Município deverá apresentar plano de adequação

A decisão também determina que o Município elabore um plano de adequação para corrigir as irregularidades encontradas. Entre as medidas previstas, estão a realização de inspeções sanitárias, a regulamentação do transporte de mercadorias, a capacitação dos servidores responsáveis pelo videomonitoramento, o controle de pragas e a implantação de fiscalização sanitária permanente.

Por fim, a Justiça marcou uma audiência para o dia 13 de agosto. Na ocasião, representantes da Prefeitura e das equipes técnicas envolvidas deverão apresentar o cronograma de execução das medidas determinadas.

Com informações do MPBA.

VITÓRIA DA CONQUISTA: Justiça obriga município a concluir Plano Municipal de Saneamento Básico

imagem: Secom/PMVC

Decisão atende ação do MP-BA e fixa prazo de 180 dias para envio do projeto à Câmara.

O Município de Vitória da Conquista terá que concluir a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) e encaminhar o projeto de lei à Câmara de Vereadores em até 180 dias. A determinação é da Justiça e atende a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Na ação, a promotora de Justiça Karina Cherubini apontou que o município interrompeu o processo de elaboração do plano, mesmo após a conclusão dos estudos técnicos. Segundo o MP-BA, a administração permanece sem dar andamento ao projeto desde 2020. Por isso, o Ministério Público recorreu ao Judiciário para garantir o cumprimento da legislação.

Município deverá concluir plano e dar publicidade ao processo

Em 2019, a Prefeitura contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) para elaborar os estudos técnicos do Plano Municipal de Saneamento Básico. Os documentos ficaram prontos e foram disponibilizados para consulta pública em 2020.

No entanto, o Executivo não encaminhou o projeto de lei ao Legislativo. Com isso, o município deixou de formalizar um instrumento de planejamento exigido para a gestão dos serviços de saneamento.

Além disso, a Justiça determinou que a Prefeitura divulgue amplamente o plano e todos os estudos que o fundamentam. Dessa forma, o conteúdo deverá permanecer disponível na internet, especialmente no site oficial do município.

Após a publicação da lei, a administração também terá que comunicar a conclusão do plano à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Em seguida, as informações deverão ser inseridas no Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).

Decisão também trata da regulação dos serviços

A sentença ainda obriga o município a escolher, em até 180 dias, uma entidade reguladora e fiscalizadora para os serviços públicos de saneamento básico. Além disso, a administração deverá observar as normas de referência estabelecidas pela ANA.

Segundo a promotora Karina Cherubini, a ausência do Plano Municipal de Saneamento Básico gera impactos diretos na gestão pública. Entre os principais prejuízos, estão a dificuldade para acessar recursos federais, possíveis problemas na validade de contratos relacionados ao saneamento e prejuízos à proteção do meio ambiente e da saúde pública.

Por fim, a decisão busca assegurar que o município cumpra as exigências legais e avance na estruturação da política pública de saneamento básico.

Com informações do MPBA.

IRAQUARA: MP-BA pede anulação da Mesa Diretora da Câmara

imagem: Mateus Pereira/GOVBA

Órgão recomenda novo pleito em até cinco dias. 

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou, na segunda-feira (27), que a Câmara Municipal de Iraquara anule a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2025/2026. Além disso, o órgão orientou a realização de um novo pleito no prazo de cinco dias úteis.

O promotor de Justiça Lucas Peixoto Valente assinou a recomendação após identificar a terceira recondução consecutiva de Suede de Jesus Neves Filho à presidência da Câmara. Segundo o MP-BA, essa situação contraria o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

MP cita entendimento do Supremo

Durante a apuração, o Ministério Público requisitou documentos à Câmara Municipal. Em seguida, verificou que Suede de Jesus Neves Filho presidiu a Casa nos biênios 2021/2022, 2023/2024 e 2025/2026.

De acordo com o promotor, o STF definiu, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 6.674/MT, que apenas uma recondução consecutiva é permitida para o mesmo cargo na Mesa Diretora das Casas Legislativas.

Por isso, o MP-BA concluiu que a eleição da atual Mesa Diretora não atende ao entendimento da Corte.

Câmara deverá realizar nova eleição

Na recomendação, o Ministério Público orientou a Câmara a realizar uma nova eleição dentro do prazo de cinco dias úteis.

Além disso, o órgão determinou que apenas vereadores que não exerceram a presidência da Casa nos dois mandatos consecutivos imediatamente anteriores possam disputar o cargo.

Dessa forma, o MP-BA busca adequar a composição da Mesa Diretora à decisão do STF e assegurar o cumprimento das normas que disciplinam a recondução aos cargos de direção do Poder Legislativo.

Com informações do Interior Baiano. 

ELEIÇÕES 2026: Especialista do TRE-BA aponta regras e punições para mesários e eleitores

imagem: Lauro Pedro/TSE

Boca de urna, fake news e compra de votos estão entre os crimes. 

A pouco mais de dois meses das eleições de 2026, marcadas para 4 de outubro, a Justiça Eleitoral intensifica as ações de fiscalização para prevenir crimes e irregularidades durante a campanha e o dia da votação. No entanto, as regras não atingem apenas candidatos e partidos políticos. Eleitores, mesários e até servidores públicos também podem responder por infrações previstas na legislação eleitoral.

Em entrevista ao Bahia Notícias, o analista judiciário do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), Jaime Barreiros Neto, destacou que muitos eleitores ainda desconhecem que determinadas práticas comuns configuram crimes eleitorais. Segundo ele, as infrações mais recorrentes são a boca de urna e a compra de votos.

Boca de urna e compra de votos estão entre os principais crimes

A legislação permite que o eleitor manifeste sua preferência política de forma individual e silenciosa. O uso de camisetas, adesivos e até bandeiras é permitido. Contudo, a situação muda quando há tentativa de convencer outras pessoas a votar em determinado candidato ou quando ocorre distribuição de material de campanha no dia da eleição.

De acordo com Jaime Barreiros, práticas como pedir votos nas filas de votação, utilizar carros de som ou distribuir os tradicionais “santinhos” nas proximidades dos locais de votação caracterizam boca de urna e podem resultar em prisão em flagrante, multa e processo criminal.

Outro ponto destacado pelo especialista é a compra de votos. Segundo ele, a legislação responsabiliza tanto quem oferece vantagem para obter o voto quanto quem aceita o benefício. Por isso, candidatos e eleitores podem responder pelo crime de corrupção eleitoral caso a prática seja comprovada.

Além disso, denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral, responsável por avaliar as provas e, se necessário, propor ação na Justiça Eleitoral.

Fake news e ausência de mesários também podem gerar punições

O analista também chamou atenção para o uso das redes sociais durante o período eleitoral. Segundo ele, o compartilhamento de informações falsas e ofensas contra candidatos ou outras pessoas pode resultar em responsabilização judicial.

Conforme explicou, quem divulga fake news ou faz acusações sem provas pode responder a processos e sofrer condenações previstas na legislação eleitoral.

Outro tema abordado foi a atuação dos mesários. Jaime Barreiros ressaltou que esses colaboradores são essenciais para o funcionamento das eleições. No entanto, quem for convocado e deixar de comparecer sem justificativa poderá receber multa. Da mesma forma, qualquer tentativa de fraudar a votação ou violar o sigilo do voto também configura crime e pode levar à responsabilização penal.

Por fim, o representante do TRE-BA defendeu que a conscientização deve ser o principal instrumento para reduzir os crimes eleitorais. Segundo ele, a educação e a formação ética dos eleitores precisam caminhar ao lado da fiscalização. Ainda assim, destacou que a punição deve alcançar aqueles que insistirem em desrespeitar as regras previstas na legislação.

Com informações do Bahia Notícias.

TJ-BA mantém transferências de presos para Conjunto Penal de Vitória da Conquista

imagem: reprodução

Corregedoria entende que superlotação, por si só, não impede o recambiamento de custodiados.

O Núcleo de Presídios da Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) negou o pedido para restringir o recambiamento e a transferência de presos para o Conjunto Penal de Vitória da Conquista. A solicitação partiu do juiz da Vara de Execuções Penais da comarca, que apontou a superlotação da unidade prisional.

Segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), o presídio possui capacidade para 794 internos. Atualmente, porém, abriga 1.085 pessoas, o que representa um excedente de 291 vagas.

Apesar desse cenário, a Corregedoria concluiu que a superlotação afeta grande parte das unidades prisionais da Bahia. Por isso, entendeu que esse fator, isoladamente, não justifica a suspensão das transferências de custodiados para a unidade.

Corregedoria aposta em nova central para gestão de vagas

Ao analisar o pedido, o órgão destacou que a situação do Conjunto Penal não retira da Corregedoria a competência para administrar as vagas do sistema prisional. Além disso, reforçou que cabe ao Tribunal avaliar a conveniência administrativa e operacional das transferências entre as unidades do estado.

A decisão também aponta uma expectativa de melhora na gestão do sistema penitenciário baiano com a implantação da Central de Regulação de Vagas (CRV). De acordo com o TJ-BA, a estrutura deverá entrar em funcionamento em setembro deste ano.

A Central integra o Projeto Pena Justa e terá como objetivo organizar o fluxo de pessoas privadas de liberdade. Além disso, reunirá políticas de alternativas penais, monitoramento eletrônico e ações de apoio à ressocialização de pessoas egressas do sistema prisional.

Com informações do Bahia Notícias. 

QUIJINGUE: MP dá cinco dias para prefeito explicar gastos com estruturas do São João

imagem: reprodução

MP-BA apura possíveis irregularidades em contrato dos festejos juninos de 2026.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) concedeu prazo de cinco dias úteis para que o prefeito de Quijingue, José Romero Rocha Matos Filho, conhecido como Romerinho (Avante), apresente esclarecimentos sobre possíveis irregularidades na contratação e no pagamento das estruturas utilizadas durante o São João de 2026.

A 1ª Promotoria de Justiça de Euclides da Cunha expediu a recomendação na quinta-feira (23). A medida foi motivada por uma fiscalização que identificou indícios de falhas na execução do contrato, possíveis pagamentos sem comprovação dos serviços e risco de prejuízo aos cofres públicos. Além disso, o MP-BA alertou que poderá adotar medidas judiciais e administrativas caso a Prefeitura não cumpra as determinações.

Entre as providências previstas estão o ajuizamento de ação por improbidade administrativa e o envio de representação ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

Fiscalização apontou possíveis irregularidades

Promotores realizaram a fiscalização nos dias 19 e 20 de junho de 2026. Para verificar a execução do contrato, a equipe utilizou aplicativos de geolocalização e registrou fotografias com data e localização.

Durante a vistoria, os promotores constataram que diversos equipamentos já faturados ainda não estavam instalados ou permaneciam em fase inicial de montagem. Além disso, encontraram trabalhadores de pelo menos três empresas diferentes atuando na montagem das estruturas.

No entanto, o município firmou o contrato com a empresa Premier Eventos Ltda., sediada em Brasília. Segundo o MP-BA, a fiscalização não encontrou documentos que autorizassem eventual subcontratação dos serviços.

A Promotoria também identificou falhas na documentação apresentada pela Prefeitura. Conforme a recomendação, as notas fiscais eram genéricas e não informavam quantidade, marca, modelo ou período de utilização das estruturas contratadas. Por isso, o órgão afirma que a falta dessas informações dificulta a fiscalização e a comprovação da execução do contrato.

Além disso, a equipe verificou que a Prefeitura não designou formalmente um fiscal para acompanhar a execução dos serviços, como determina a Nova Lei de Licitações.

MP também questiona pagamentos antecipados

O Ministério Público também analisou contratos firmados em anos anteriores. Segundo o órgão, a gestão do ex-prefeito Wellington Cavalcante de Gois, o Nininho Gois (PL), efetuou o pagamento de R$ 1,53 milhão antes do início dos festejos juninos de 2025.

Diante desse histórico, a Promotoria intensificou a fiscalização dos contratos de 2026. Na atual gestão, o MP-BA identificou um pagamento superior a R$ 625 mil antes da realização do evento. Ainda segundo o órgão, a administração municipal não apresentou justificativa legal suficiente para antecipar o pagamento.

Agora, a Prefeitura de Quijingue deverá informar, dentro do prazo de cinco dias úteis, quais providências adotou para corrigir os problemas apontados. Entre as medidas cobradas, estão a apresentação de notas fiscais detalhadas com memória de cálculo, o envio de fotografias com geolocalização e registro de data e horário das estruturas pagas, mas não encontradas durante a fiscalização. Por fim, o MP-BA também determinou a suspensão de pagamentos antecipados sem previsão legal expressa.

Com informações do A Tarde.

TJ-BA leva projeto ao Sul da Bahia e aproxima o Judiciário da população

imagem: reprodução/TJ-BA

Ilhéus e Itabuna recebem ações do projeto Justiça em Território

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) realizou, entre os dias 22 e 24 de julho, a segunda edição do projeto “Justiça em Território – Presença que Transforma”. Durante a programação, a Presidência do Tribunal foi transferida simbolicamente para as comarcas de Ilhéus e Itabuna. Com isso, a iniciativa aproximou o Judiciário da população do interior, fortaleceu o diálogo com a sociedade e ampliou o acesso aos serviços da Justiça.

Ao longo dos três dias, o TJ-BA promoveu uma feira de serviços gratuitos em parceria com diversas instituições. Além disso, a população teve acesso à emissão de documentos, atendimentos de saúde e serviços judiciais por meio da Ouvidoria Itinerante. Ao mesmo tempo, a programação incluiu ações voltadas à proteção das mulheres, como o mutirão “Maria da Penha em Foco”, rodas de conversa sobre violência doméstica e orientações sobre o aplicativo TJBA Zela.

O projeto também levou às escolas públicas a iniciativa “Direito de Saber”. Dessa forma, estudantes participaram de atividades sobre direitos, deveres e combate ao racismo.

Regularização fundiária e diálogo com o Judiciário

Em Itabuna, um dos destaques da programação foi a entrega gratuita de 146 títulos de propriedade urbana para moradores dos bairros Nova Califórnia e Jorge Amado. A cerimônia aconteceu no Teatro Municipal Candinha Dória e contou com a parceria da Prefeitura de Itabuna e de órgãos cartorários. Assim, as famílias passaram a contar com mais segurança jurídica sobre seus imóveis.

Além dos serviços prestados à população, o presidente do TJ-BA, desembargador José Edivaldo Rocha Rotondano, reuniu-se com magistrados e servidores das comarcas da região. Durante os encontros, a administração ouviu sugestões, discutiu demandas locais e reforçou o compromisso com o aprimoramento da prestação jurisdicional no interior.

Sessão histórica marca programação

A edição de 2026 também entrou para a história do Judiciário baiano. Nesta sexta-feira (24), o Órgão Especial do Tribunal de Justiça realizou, pela primeira vez em 417 anos, uma sessão de julgamento fora de Salvador. O encontro ocorreu no auditório da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus.

O colegiado é responsável pelo julgamento de ações de inconstitucionalidade e mandados de segurança contra autoridades. Com isso, o Tribunal levou a atuação de sua mais alta instância para mais perto da comunidade acadêmica, dos operadores do Direito e da população do sul da Bahia.

Por fim, a programação será encerrada na tarde desta sexta-feira (24) com o Ciclo de Palestras: Temas Desafiadores do Judiciário Contemporâneo, também realizado no auditório da UESC.

Com informações do Bahia Notícias.