Domingo, 25 de outubro de 2026
Justiça no Interior

GUANAMBI: MPBA pede suspensão de empresa investigada por poluição sonora e descarte irregular

imagem: reprodução

Ação civil pública aponta ruídos acima dos limites permitidos e lançamento de efluentes industriais no solo

O Ministério Público da Bahia (MPBA) ajuizou uma ação civil pública contra a empresa Moagem El Shaday Ltda., localizada no Distrito Industrial de Guanambi, no sudoeste baiano. O órgão pede, em caráter liminar, a suspensão das atividades até que a empresa corrija as irregularidades ambientais apontadas durante as fiscalizações.

Além disso, o MPBA solicitou que a empresa apresente um Plano de Trabalho e Adequação Ambiental no prazo de 60 dias, contados a partir de eventual decisão judicial.

Denúncias deram início à investigação

O promotor de Justiça Alex Bezerra Bacelar apresentou a ação no último dia 21. Antes disso, o Ministério Público iniciou uma investigação após moradores do Bairro Industrial relatarem possíveis problemas provocados pela empresa.

Entre as reclamações estavam poluição sonora, descarte inadequado de efluentes e falta de regularização ambiental. Para formalizar as queixas, moradores também apresentaram um abaixo-assinado.

Durante a apuração, a Superintendência Municipal de Trânsito realizou medições dos níveis de ruído. Os resultados apontaram valores acima dos limites previstos na legislação ambiental e nas normas técnicas da ABNT.

Em uma área residencial, por exemplo, a medição chegou a 74 decibéis, enquanto o limite indicado era de 50 decibéis. Já dentro da empresa, o equipamento registrou 106,2 decibéis, diante de um limite de 70 decibéis.

Fiscalização identificou descarte de efluentes

Além da poluição sonora, uma vistoria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente encontrou o lançamento de efluentes industriais diretamente no solo.

Segundo o relatório técnico, o material também escoava para áreas externas do empreendimento. A fiscalização registrou, ainda, mau cheiro e apontou potencial risco de degradação ambiental.

Diante dessas constatações, os órgãos municipais notificaram a empresa para regularizar a atividade. Entre as medidas solicitadas estavam a adequação ambiental, a redução dos ruídos e a implantação de um sistema de tratamento dos efluentes.

Empresa recebeu notificações

De acordo com a ação, a empresa recebeu sucessivas notificações administrativas e requisições do Ministério Público ao longo dos últimos anos.

Nesse período, os órgãos responsáveis também concederam prazos para que o empreendimento corrigisse os problemas. No entanto, segundo o MPBA, a empresa não apresentou comprovação efetiva de que havia regularizado a situação ambiental.

Enquanto isso, moradores continuaram encaminhando reclamações, vídeos e outros registros dos impactos entre 2023 e 2026.

Por esse motivo, o Ministério Público decidiu levar o caso à Justiça. A ação busca garantir a proteção ambiental e reduzir os possíveis impactos da atividade sobre a população do entorno.

Agora, a Justiça deverá analisar o pedido liminar de suspensão das atividades e as demais medidas solicitadas pelo MPBA.


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