Quinta-Feira, 1 de outubro de 2026
Justiça no Interior

Eleições 2026: Juíza eleitoral orienta eleitores sobre votação, celular, manifestações e denúncias

 

imagem: Blog do Anderson

Dra. Julianne Nogueira, titular da 40ª Zona Eleitoral de Vitória da Conquista, explica como funciona a preparação para o pleito e esclarece dúvidas que podem surgir no dia da votação

Com a proximidade das Eleições 2026, a Justiça Eleitoral intensifica os trabalhos para garantir que o processo de votação ocorra de forma organizada e dentro da legalidade. Em Vitória da Conquista, a 40ª Zona Eleitoral reúne uma série de atividades que vão desde a preparação das urnas e treinamento dos mesários até a organização dos locais de votação e do transporte de eleitores.

Em entrevista ao Justiça no Interior, a juíza eleitoral Dra. Julianne Nogueira explicou como funciona essa preparação e respondeu a dúvidas sobre o que o eleitor pode ou não fazer no dia da votação, o uso do celular, a manifestação individual de preferência política, a colinha eleitoral e os canais disponíveis para denunciar possíveis irregularidades.

Preparação envolve urnas, mesários e locais de votação

Segundo a magistrada, o trabalho da Justiça Eleitoral se intensifica à medida que o pleito se aproxima. Depois das etapas preparatórias, como a biometria e a atualização do cadastro eleitoral, as zonas eleitorais passam a concentrar esforços diretamente na organização do dia da votação.

Entre as atividades estão a convocação e o treinamento dos mesários, a definição da logística de distribuição das urnas e a organização dos locais de votação.

“Quando se aproxima mais das eleições, a gente parte para esse processo eleitoral voltado para o dia da eleição mesmo, convocando os mesários, fazendo treinamento, traçando a logística de como essas urnas chegam até os locais de votação, organizando os locais de votação e fazendo essa interlocução com os outros órgãos”, explicou Julianne.

Na 40ª Zona Eleitoral, que abrange áreas urbanas e rurais de Vitória da Conquista, outro trabalho importante é a organização do transporte eleitoral para os eleitores da zona rural. A Justiça Eleitoral coordena esse serviço, que envolve a requisição dos transportes, a definição de motoristas e a elaboração dos roteiros.

Além disso, a logística inclui o deslocamento das equipes responsáveis pelas urnas e pelos locais de votação.

Mudanças nos locais exigem atenção do eleitor

A preparação também inclui possíveis mudanças nos locais de votação. Segundo a juíza, algumas escolas que anteriormente recebiam eleitores foram desativadas ou deixaram de reunir condições necessárias para o funcionamento de uma seção eleitoral, como conectividade, banheiros e acessibilidade.

Quando uma transferência se torna necessária, a Justiça Eleitoral procura manter o eleitor o mais próximo possível do endereço anterior.

“Geralmente respeitando o mínimo de distância possível, geralmente um local do lado do outro”, explicou.

Por isso, a orientação é que o eleitor não deixe para descobrir seu local de votação apenas no dia 4 de outubro. Antes disso, é possível consultar a informação pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral e pelo e-Título.

Reta final exige atenção à logística e à legalidade

Na semana que antecede o pleito, o trabalho se torna ainda mais intenso. De acordo com Julianne, as equipes atuam de forma integrada na preparação das urnas e na logística para que os equipamentos cheguem aos locais de votação dentro do horário previsto.

“Uma semana muito intensa. A nossa preocupação maior é que não haja também essa preocupação de uma ilegalidade, compra de votos. Então, todo esse contexto não só da organização em si para que a votação ocorra de maneira tranquila, mas também que exista uma legalidade em torno de todo o processo eleitoral”, afirmou.

Dessa forma, além de garantir a estrutura necessária para a votação, a Justiça Eleitoral acompanha possíveis irregularidades durante a campanha e na reta final antes do pleito.

Manifestação política é permitida, mas deve ser individual e silenciosa

Uma das dúvidas mais comuns diz respeito à possibilidade de o eleitor demonstrar sua preferência política no dia da votação.

A legislação permite a manifestação individual e silenciosa da preferência por partido, federação, coligação, candidata ou candidato. Isso pode ocorrer por meio de bandeiras, broches, dísticos, adesivos, camisetas e outros adornos semelhantes.

Por outro lado, são proibidas manifestações coletivas ou ruidosas, aglomerações com finalidade de propaganda, abordagem e tentativa de convencimento de outros eleitores.

Assim, a juíza reforça que o eleitor pode demonstrar sua preferência, mas não pode transformar o local de votação em espaço de campanha.

“É bem importante frisar que o período da campanha, no dia da eleição, já acabou. Então, é a hora de manifestar o seu voto na urna e não de forma pública”, explicou.

Celular, documentos e a chamada “colinha” exigem atenção

Outra orientação importante diz respeito ao celular. O eleitor pode utilizar o aparelho para acessar o e-Título e apresentar a versão digital do documento, quando aplicável. No entanto, antes de entrar na cabine de votação, deve deixar o celular no local indicado pela mesa receptora. Depois da votação, o aparelho é devolvido.

A mesma regra vale para câmeras, filmadoras e outros equipamentos que possam comprometer o sigilo do voto.

“Ele pode usar para se identificar, mas deverá entregar o celular ao presidente da mesa no momento que ele vai com a urna”, explicou a juíza.

Para votar, o eleitor deve apresentar um documento oficial com foto. O e-Título também pode ser utilizado como identificação quando estiver com a fotografia disponível. Já o título de eleitor em papel não substitui o documento oficial com foto e não é obrigatório para votar.

Por isso, a recomendação é conferir antecipadamente se a documentação está em condições de uso e se o e-Título apresenta a fotografia.

Além disso, nas Eleições 2026, o eleitor terá seis escolhas na urna, seguindo esta ordem: deputado federal, deputado estadual, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente da República.

Diante da quantidade de números, a Justiça Eleitoral recomenda que o eleitor leve uma colinha de papel para consultar durante a votação. Dessa forma, o eleitor reduz o risco de esquecer algum número e também pode agilizar sua passagem pela cabine.

“A eleição contempla vários candidatos. São seis números que a pessoa precisa ter em mente. Então, é importante que ela leve uma colinha”, explicou Julianne.

A colinha pode ser uma anotação feita pelo próprio eleitor ou outro material que contenha os números das candidaturas. Entretanto, o eleitor deve prepará-la antes de chegar ao local de votação e não pode receber material de campanha ou participar de distribuição de propaganda no local.

Para os eleitores da zona rural que dependem do transporte disponibilizado pela Justiça Eleitoral, a magistrada também fez um alerta. Nesse caso, o serviço segue a logística definida para o pleito e utiliza veículos credenciados e identificados.

Eleitor pode denunciar possíveis irregularidades

Caso o eleitor presencie uma possível irregularidade, a Justiça Eleitoral disponibiliza o Pardal, sistema destinado ao recebimento de denúncias sobre possíveis infrações eleitorais e irregularidades.

O aplicativo permite o envio de informações, inclusive com fotos, vídeos, áudios e endereços eletrônicos relacionados à ocorrência. Em seguida, as denúncias seguem para análise da Justiça Eleitoral.

“É um sistema gratuito que está no site do TSE que o eleitor pode registrar uma irregularidade. A depender da situação, ele pode registrar, juntar inclusive fotos, vídeos”, explicou a juíza.

Além do Pardal, quando uma situação ocorre no próprio local de votação, o eleitor pode comunicar a ocorrência ao coordenador do local, aos mesários ou às forças de segurança presentes.

Orientação é votar com tranquilidade e consciência

Para a juíza eleitoral, o eleitor deve chegar ao dia da votação informado sobre as regras e exercer seu direito de forma tranquila, consciente e respeitando o caráter secreto do voto.

Por isso, a orientação é conferir antecipadamente o local de votação, organizar os números das candidaturas que pretende escolher, levar um documento oficial com foto e ficar atento às regras dentro da seção eleitoral.

“É importante que esse eleitor consiga exercer seu voto com tranquilidade”, destacou Julianne.

As Eleições 2026 terão o primeiro turno no dia 4 de outubro. Na urna, serão escolhidos representantes para seis cargos, com duas vagas para o Senado em disputa. Para a magistrada, o momento deve ser marcado pela participação consciente e pelo respeito ao direito de cada eleitor.

“O voto é livre, é secreto, e é seu, é a sua voz”, afirmou.

Por Justiça no Interior


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